A investigação imagética e sonora, desenvolvida no âmbito da antropologia visual, sobre a representação do Outro, o Africano e a construção da entidade África por artistas das áreas da dança e da música, revelou-nos que os sinais da cultura africana nos chegam através das expressões artísticas, que expressam, comunicam ou mostram memórias ativas, individuais e/ou coletivas, tecidas de sentimentos reconhecidos e assumidos por quem os pratica: um indivíduo, uma árvore, uma canção, um objeto, um ritmo, um instrumento musical, bem como uma série de crenças e valores. Tudo isto nos leva, pois, a acreditar que toda uma outra realidade da entidade África será aquela que nasce dentro de cada um de nós, e que sendo, embora, perfeitamente habitável, não pertence aos nossos sistemas sociais, económicos, políticos ou culturais… Dito de outro modo, fica absolutamente fora da tábua de ideias dominantes da nossa sociedade, em torno das problemáticas desta África, e nos ensina que a vida podendo ser, de algum modo misterioso, fruto de alguma revelação espiritual, no existencial, não se aprende, inventa-se vivendo-a. O filme resultante deste trabalho de pesquisa A África que nasce dentro de nós… foi exibido no 3º Simpósio Internacional «Fusões no Cinema».

(Carlos Miguel Rodrigues & Maria Fátima Nunes, 2017,
"Antropologia e artes em diálogo", in Revista de Linguagem do Cinema e do Audiovisual)
___________________________________________________________________________________________

 ESTRELA D'ALBA
 

REALIZAÇÃO
Maria Fátima Nunes, 2017





ESTRELA D'ALBA, filme com aconselhamento científico de Carlos Miguel Rodrigues, resultante da investigação antropológica, mediada pela imagem e pelo som, sobre a representação do Outro, o Sem Abrigo, e a representação da Arte acerca do Outro, que nos revelou que a primeira pessoa no Planeta dos humanos é a comunidade.

Sendo realizado por cineastas ligados à antropologia do som e à antropologia da imagem, o filme é o resultado dinâmico do querer representar em som e em imagem as inquietações de inúmeras pessoas, atores sociais (sensibilizados pela temática), que passavam e paravam a observar a instalação do pintor José Silva, na rua pedonal movimentada de Santa Catarina, no Porto.

ESTRELA D’ALBA esteve em exibição na exposição temática: SEM ABRIGO E SE FOSSES TU?, com curadoria do pintor José Silva, integrada na II BIENAL INTERNACIONAL de ARTE GAIA, com a direção do pintor e jornalista Agostinho Santos.